{"id":28389,"date":"2012-09-17T21:11:43","date_gmt":"2012-09-17T19:11:43","guid":{"rendered":"https:\/\/mongonzalez.es\/?p=28389"},"modified":"2026-09-17T09:37:43","modified_gmt":"2026-09-17T07:37:43","slug":"sobre-como-a-cueva-del-hierro-entrou-na-minha-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/sobre-como-a-cueva-del-hierro-entrou-na-minha-vida\/","title":{"rendered":"Sobre como a Cueva del Hierro entrou na minha vida"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Sobre como a Cueva del Hierro entrou na minha vida<\/strong><\/h2>\n<p>Lembro-me de que, j\u00e1 em crian\u00e7a, tinha <strong>duas intui\u00e7\u00f5es<\/strong> bastante v\u00edvidas. Uma era que queria ser diplomata e a outra que queria <em>criar ra\u00edzes na Serra de Cuenca<\/em>. Nem uma coisa nem a outra eram \u00f3bvias, porque ningu\u00e9m da minha fam\u00edlia era diplomata, nem nunca tinha visitado Cuenca. S\u00e3o duas intui\u00e7\u00f5es estranhas que sempre tive e que nunca consegui compreender racionalmente.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 contei neste site, em 1995 preparei-me para o concurso para a carreira diplom\u00e1tica, fui aprovada em 1996 e iniciei a minha carreira profissional como diplomata espanhola.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Cuenca foi <em>outra hist\u00f3ria<\/em>. Em 1986, queria conhecer pessoalmente a Serra de Cuenca e organizei a viagem de fim de ano do liceu para o albergue de San Blas, em Tragacete, juntamente com todos os colegas <em>alternativos<\/em> do liceu. O professor de biologia, Juan, veio connosco. E foi uma semana maravilhosa de caminhadas at\u00e9 \u00e0 nascente do J\u00facar, \u00e0 nascente do Tejo e a muitos locais belos e desconhecidos. E foi a\u00ed que considerei v\u00e1lida e verdadeira aquela intui\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia de <em>criar ra\u00edzes na Serra de Cuenca.<\/em><\/p>\n<p>No entanto, a agitada vida diplom\u00e1tica e as repetidas mudan\u00e7as de casa, de pa\u00eds e de continente foram afastando-me dessa ideia, at\u00e9 que, em 2009, ela voltou a ganhar for\u00e7a dentro de mim e decidi explor\u00e1-la. Assim, tirei uns dias de f\u00e9rias na Embaixada de Espanha em Londres; apanhei um voo para Madrid-Barajas; aluguei um carro no aeroporto; e percorri sozinho a Serran\u00eda Alta de Cuenca.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-28355 aligncenter\" src=\"https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/018-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/018-300x225.jpg 300w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/018-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/018-768x576.jpg 768w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/018-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/018-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>E fui de lugar em lugar, com um pequeno caderno vermelho, anotando todas as propriedades que estavam \u00e0 venda, o nome dos seus propriet\u00e1rios, etc.<\/p>\n<p>De volta a Londres, comecei por ligar a algumas pessoas de <strong>Las Majadas<\/strong>, que \u00e9 onde tinha visto a casa dos meus sonhos, mas eram tr\u00eas herdeiros e apenas dois estavam dispostos a vender. Imposs\u00edvel, portanto.<\/p>\n<p>[Inserto aqui em baixo uma foto das vistas lind\u00edssimas que se avistam do topo de Los Callejones de Las Majadas, uma foto que me tiraram nessa viagem]<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28326 aligncenter\" src=\"https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/005-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/005-300x225.jpg 300w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/005-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/005-768x576.jpg 768w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/005-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/005-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 487px) 100vw, 487px\" \/><\/p>\n<p>E a minha segunda op\u00e7\u00e3o foi uma casa que tinha visto em <strong>Cueva del Hierro<\/strong>. O propriet\u00e1rio deu-me um pre\u00e7o (30 000 euros) e eu disse-lhe diretamente que a compraria. Ele ficou surpreendido e perguntou-me se eu a ia comprar sem ver o interior, e eu respondi que sim, que, se a estrutura estivesse em bom estado, a salvaria e, caso contr\u00e1rio, a reconstruiria. Apanhei um voo de Londres para Val\u00eancia; apanhei um comboio para Aldaia; assinei a compra perante um not\u00e1rio; e pronto. J\u00e1 t\u00ednhamos a casa.<\/p>\n<p>Fazer a obra foi mais complexo. N\u00e3o conseguia encontrar um empreiteiro at\u00e9 que o presidente da c\u00e2mara local, em 2011, se ofereceu para a fazer com os seus oper\u00e1rios equatorianos. A minha interpreta\u00e7\u00e3o sempre foi que, em 2011, est\u00e1vamos em plena crise financeira na nossa querida Espanha e os subs\u00eddios dos organismos p\u00fablicos estavam a escassear e, nesse contexto, a minha casa pareceu uma boa op\u00e7\u00e3o. No ver\u00e3o de 2011, fizeram o <em>escoamento das \u00e1guas<\/em> e, no inverno e na primavera de 2012, o interior, pelo que, em agosto de 2012, mudei-me de Londres para Cueva del Hierro.<\/p>\n<p>Esta casinha veio com um <strong>presente-surpresa<\/strong>. Um dos oper\u00e1rios equatorianos que trabalhava como pedreiro (\u00abpedreiro\u00bb \u00e9 uma palavra linda, que vem do \u00e1rabe \u00abalbani\u00bb, aquele que constr\u00f3i) acabou por se tornar o meu companheiro. A intui\u00e7\u00e3o tinha come\u00e7ado, cerca de trinta anos antes, a preparar o terreno para me guiar at\u00e9 um belo amor\u2026 uma hist\u00f3ria bonita, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>E assim termina o microconto de como Cueva del Hierro entrou na minha vida.<\/p>\n<p>Como ponto final, reproduzo aqui um poema que escrevi para aquele homem maravilhoso nos nossos primeiros tempos de namoro:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>IMENSA SUAVIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Chegaste \u00e0 minha vida<\/p>\n<p>com imensa suavidade.<\/p>\n<p>Ao ver-te brilhar e a suar<\/p>\n<p>ficava absorta, transpassada,<\/p>\n<p>vacilante, sem voz, e, pouco a pouco,<\/p>\n<p>o teu belo corpo esculpido<\/p>\n<p>pelo suor da tua testa<\/p>\n<p>foi-se transformando num \u00edman;<\/p>\n<p>\u00edm\u00e3 que, no in\u00edcio, n\u00e3o soube ver<\/p>\n<p>e que, quando vi, j\u00e1 era tarde;<\/p>\n<p>tarde porque, nessa altura,<\/p>\n<p>a tua imensa suavidade<\/p>\n<p>j\u00e1 habitava em mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o consigo compreender bem<\/p>\n<p>como \u00e9 que ela entrou pelos poros da minha pele,<\/p>\n<p>pelos canais auditivos dos meus ouvidos,<\/p>\n<p>pelos meus nervos \u00f3pticos ou pela minha traqueia,<\/p>\n<p>mas entrou, e veloz como uma flecha<\/p>\n<p>das que os teus antepassados<\/p>\n<p>ind\u00edgenas fabricavam nas selvas do atual Equador,<\/p>\n<p>como uma dessas flechas, a tua imensa<\/p>\n<p>suavidade entrou e habitou-me.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E se habitas em mim, como te expulsar? Como<\/p>\n<p>colocar um limite ou um fim a esta loucura de amor<\/p>\n<p>que me tem possu\u00edda? Existe algum rem\u00e9dio<\/p>\n<p>contra este estado de estar habitada pela tua suavidade?<\/p>\n<p>A minha mente diz que n\u00e3o devo continuar; que o que temos<\/p>\n<p>n\u00e3o faz qualquer sentido; que n\u00e3o tem presente,<\/p>\n<p>nem futuro\u2026 E o meu Ser sorri, sorri para a mente<\/p>\n<p>e diz-lhe: \u00abEsfor\u00e7a-te e procura a maneira de retirar<\/p>\n<p>esta suavidade, pois enquanto n\u00e3o a retirares n\u00e3o poder\u00e1s<\/p>\n<p>p\u00f4r-lhe um limite ou um fim\u00bb. A minha mente desespera e o meu Ser\u2026<\/p>\n<p>o meu Ser\u2026 sorri.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-28337 aligncenter\" src=\"https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/041-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"559\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/041-300x225.jpg 300w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/041-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/041-768x576.jpg 768w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/041-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/mongonzalez.es\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/041-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/p>\n<p>E inseri aqui em cima uma foto do miradouro do <strong>Hotel Los Tilos<\/strong>, em Beteta, onde fiquei hospedado quando percorri aquela zona da Serran\u00eda Alta de Cuenca. Uma foto que me tirou a ent\u00e3o recepcionista do hotel. Um hotel que, pouco tempo depois, faliu e que reabriu h\u00e1 alguns anos, renovado, imponente, lind\u00edssimo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2009 y 2012<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28346,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[268,269],"tags":[],"class_list":["post-28389","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-moncriatividade","category-monhistorias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28389\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mongonzalez.es\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}